segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Premiações de Vinhos: Dá pra confiar?

Coluna do Jornal Imagem da Ilha 04/10/2016




Listas e mais listas, o mundo está cheio delas. Cem melhores vinhos de tal lugar na revista X; Top 10 Feira Y; Os Melhores da Degustação em tal lugar; Medalha de Ouro no Concurso Mundial de qualquer país. São inúmeras maneiras de tentar qualificar e vender seu vinho. Acho até que existe um grande exagero na quantidade de prêmios, o que reflete na cabeça do consumidor que não sabe em qual confiar.

Lembro a primeira vez, há alguns anos, que perguntei como funcionavam esses prêmios, e me responderam que é como um ‘Campeonato Brasileiro de Futebol’, tem muito ‘Campeão Brasileiro’, alguns da Série A, outros da Série D, mas ambos podem ser chamados ‘Campeões Brasileiros’.  Outros fatores que confundem são as tais medalhas de ouro. Essas medalhas não são como o pódio da Olimpíada, pode ter dezenas de vinhos que se classificam com uma avaliação equivalente ao ouro. Confusão total.

Existem empresas que conseguem fazer um marketing muito intenso de premiações sem importância para vender seus vinhos, tanto que, infelizmente, recebo até hoje consumidores perguntando de um espanhol que foi ‘o melhor do mundo’ e que ganhou de vinhos muito mais caros. Esqueça disso! Tem até premiação que soma todos os pontos obtidos em todas as competições mundiais e no final faz um TOP 100, ou seja, quem participa mais, fica na frente.

Poucos dias atrás participei de uma avaliação muito eficiente, uma avaliação pessoal às cegas de doze vinhos completamente diferentes em preços e estilos. Nessa avaliação, sem o menor preconceito, pude observar que faixa de preço meu paladar mais gostou e que estilo de vinho estava nesse padrão. Foi uma ótima surpresa, ainda mais que estava cercado de bons sommeliers. Como sempre um vinho nacional se mostrou longevo e surpreendeu a todos, um Miolo Reserva Cabernet Sauvignon da grande safra 2005, que aguentou perfeitamente esses 11 anos e foi o destaque no meio de vinhos até cinco vezes mais caros. Outros destaques ficaram com os franceses da Borgonha, sempre clássicos.

Como quero continuar a consumir vinhos que cabem no bolso, deixo uma lista justamente na coluna em que critico as listas, fica a dica para alguns vinhos deliciosos até R$ 50: Dunamis Tom Rosé e Miolo Reserva Tempranillo, da Campanha Gaúcha; Suzin Alecrim Sauvignon Blanc, de São Joaquim; Muros de Vinha Tinto e Branco, do Douro; Ventisquero Reserva Pinot Noir, do Vale de Casablanca e Viñas de Chacras Sauvignon Blanc e Pinot Noir do Vale de Curicó, Chile; Poggio della Quercia Rubicone, Sangiovese, Itália. São todos vinhos muito frutados e perfeitos para a meia estação. Aproveitem!

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Desafios de uma Carta de Vinhos

Coluna escrita para o Jornal Imagem da Ilha 31/10/2016






Os desafios de se manufaturar uma carta de vinho hoje em dia são muito interessantes. São tantas variáveis que tenho que levar em conta que tem dias em que simplesmente elas “não saem”, pois a cabeça não está no clima. Devemos obedecer algumas premissas, como o estilo do local e da cozinha, preço médio, localização, para depois pensar sobre o tipo de cliente, o gosto do proprietário, a técnica da equipe de serviço, as modas do momento no mundo do vinho e, logicamente, canalizar tudo isso para o nosso conhecimento e disponibilidade de vinhos e um pouco do nosso gosto, se estiver de acordo com o restante desses pontos.

Logicamente não são todos os estabelecimentos no Brasil que precisam de uma carta cheia de novidades, altamente elaborada e que seja extensa. Na maior parte do tempo isso só vai atrapalhar as vendas e afugentar o público em geral. Algumas casas focadas no vinho pedem coisas diferentes e autorais e é aí que entra o quebra cabeça. Primeiramente, penso que cada vez mais precisamos de menos, ou seja, foi-se o tempo das cartas de vinho com 300 rótulos e até milhares como já vi alguns se autopromovendo (quando fui ao local tive que pedir oito vinhos diferentes para achar um que realmente tinha no estoque). O cliente, e muito menos o restaurante, não quer ficar quinze minutos parado folheando páginas e mais páginas para achar um vinho, isso sem falar em estoque parado e todas as outras dificuldades. Uma carta mais enxuta é viável na maioria dos lugares. Lógico que algumas enotecas e restaurantes de maior porte podem se dar ao luxo e até já faz parte da sua mística algumas exceções.

Uma das coisas que mais chama a atenção nas cartas é a moda do momento. Primeiro tínhamos os clássicos Bordeaux, Borgonha, Toscana e Champagne com preços acessíveis à época e todos conheciam os nomes. Mas, esses vinhos começaram a ficar extremamente caros e isso foi passando, e novas regiões foram surgindo. Junto com as novas regiões também surgiram críticos, pontos e rankings e isso se tornou uma febre. As cartas passaram a vender pontuações e rótulos famosos. Por um lado é compreensível que em meio a tantos rótulos existisse uma enorme confusão e que os críticos começassem a nos falar o que beber. O problema é que os vinhos começaram a se tornar muito parecidos e com gosto uniforme, seja ele produzido em Bordeaux ou Maipo.

Entra então a fase que acredito que está iniciando no Brasil e, ainda bem, já está indo embora na Europa e nos Estados Unidos. Dos vinhos com uma história “bonitinha” por trás, feitos por pequenos produtores, em pequenas quantidades, em regiões até então desconhecidas ou em um cantinho daquela região famosa saindo das mãos de um artesão de maneira natural. Como diz o Master Sommelier, Geoff Kruth, que me inspirou nesse tema: “Essa era está entrando em colapso, pois esquecemos de nos perguntar se esses vinhos têm gosto bom.” E os consumidores e “mentes sãs” começaram a se revoltar contra essa tendência exagerada.

E como eu gosto de pensar quando produzo as cartas de vinho, Geoff também acredita que a nova fase é achar bons produtores do mundo inteiro, deixando um espaço para experiências diferentes, mas simplesmente focando em bons vinhos, feitos de maneira correta pela grande empresa ou pelo pequeno e descolado produtor natural. Vinhos que reflitam a variedade e seu local de produção. Praticamente um pouco de cada fase, mas com a evolução do tempo e do conhecimento.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Santa Adega lança vinhos de importação própria


Da base da Cordilheira dos Andes, reconhecido centro mundial de produção vitivinícola, três produtos com o rótulo El Mendocino, sendo dois varietais e um reserva, elaborados pela tradicional Bodega A16, são novidades trazidas pela Santa Adega para o Brasil, que caminha para 10 anos de presença no mercado, mantendo a excelência e a exclusividade na distribuição de grandes vinhos e espumantes.

Bodega A16


Mas os lançamentos não param por aí. A distribuidora também está apresentando rótulos da linha Viñas de Chacras, três rótulos varietais e dois reserva, elaborados pela vinícola Família Hernandez, que expressa na taça a originalidade dos terroirs do Chile.

O Sommelier internacional Eduardo Machado Araujo e o enólogo Cesar Azevedo, que possui experiência nas maiores empresas do ramo vitivinícola mundial, compõem a equipe do projeto na Santa Adega, acompanhando os processos de elaboração. Azevedo explica que as novidades estão alinhadas às expectativas dos consumidores brasileiros. “Buscamos proporcionar experiências com vinhos que expressem o melhor de cada terroir. Nesse sentido, a Santa Adega importa os vinhos El Mendocino e Viñas de Chacras a partir de uma imersão junto aos produtores do Chile e da Argentina. Conhecemos os vinhedos e definimos a elaboração dos produtos. Mais que vinhos, levamos nossa proposta de tradição e cultura enológica às vinícolas onde elaboramos nossos vinhos e queremos levar isso também ao consumidor”, destaca.



A marca El Mendocino, que significa “O Homem de Mendoza”, traz vinhos inspirados no homem da terra que vive ao pé da Cordilheira dos Andes, santuário ecológico que traz vida a Mendoza. A referência é a um homem que ama e respeita a terra desértica onde vive e a cultiva. Esse trabalho vitalício e sua relação simbiótica com a Mãe Natureza ajudam a transformar a terra em um oásis de vinhedos, no meio do deserto. Para representar essa relação, os produtos elaborados pela Bodega A16 chegarão ao Brasil em três versões: Malbec Reserva Safra 2015 e Chardonnay e Malbec Varietal Safra 2016. “Esses vinhos traduzem o cuidado do homem de Mendoza na elaboração da bebida símbolo da Argentina e a influência climática e geográfica da Cordilheira dos Andes. Especialmente o Reserva, que passou por barricas de carvalho francês e americano”, explica Azevedo.

Os produtos Viñas de Chacras são verdadeiros intercâmbios culturais. Com inspiração na energia da cultura Maori, povo indígena das ilhas do Pacífico que emigrou em larga escala para o Chile, os rótulos apresentam uma mescla entre tipografias típicas das tatuagens Maoris, que se fundem a aspectos das fossilizações marítimas e a folhas de vinhedos. As imagens também carregam um quê da cultura espanhola, dinamizadora da tradição europeia na produção do vinho chileno.

Família Hernandez 


“Chacras” são pequenas fazendas, parcelas de terras específicas. E a Vinícola Família Hernandez conserva essa tradição valorizando influências do clima mediterrâneo proporcionado pela proximidade com o mar e os Andes, além da cultura local, de modo que expressa a força de um terroir emblemático. No Brasil, desembarcam os produtos Carménère e Cabernet Sauvignon, ambos Reserva Safra 2015, elaborados pela Hernandez. Também vêm os varietais Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Sauvignon Blanc, elaborados pela vinícola Viña Tunquelen, localizada no Valle de Curicó, entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes.

Mais sobre a Santa Adega
Criada em 2007, a Santa Adega fornece cerca de 900 rótulos de 15 países. Com equipe de sommeliers e enólogos especializados, atua com a missão de descomplicar o vinho e proporcionar excelentes experiências com produtos clássicos e até inusitados. Eduardo Machado Araújo é o responsável pelas cartas e treinamentos da Santa Adega, além de coordenar a Escola do Vinho, que difunde o hábito e o prazer da degustação de vinhos por meio de cursos e workshops.

Com área administrativa, estoque e loja de vinhos localizada em Córrego Grande, Florianópolis (SC), a Santa Adega ainda possui estrutura diferenciada para encontros e degustações em geral. Os clientes podem usufruir de assistência e consultoria para a confecção de cartas de vinhos, harmonizações para cardápios de restaurantes e eventos, e serviços de degustações dirigidas.

O vinho argentino El Mendocino Malbec Reserva chegará nos restaurantes com preço sugerido de R$ 90. Já os varietais Malbec e Chardonnay da mesma marca custarão em média R$ 60. Do Chile, os produtos Viñas de Chacras virão com os varietais Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc e Pinot Noir, por R$ 50, além dos Reserva Carménère e Cabernet Sauvignon pelo valor de R$ 70. Os produtos estarão disponíveis entre o final de outubro e o início de novembro na loja da Santa Adega, em seus distribuidores nacionais e no e-commerce www.santaadega.com.br.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Vinícola Thera Bom Retiro Santa Catarina - Comemoração no Blog

O Blog Vinho Todos os Dias começou há alguns anos com uma frequência muito maior que a de hoje em dia.

Escrevia de tudo um pouco, diários de viagens, avaliações de vinhos, opiniões e até mesmo traduzia alguns artigos interessantes de publicações internacionais.

Foram 336 postagens até essa e hoje ele bateu os 200.000 visitantes. Já teve mais de 4.500 visitas por mês no seu auge figurando entre os 25 blogs de vinhos mais lidos do país. Mas, ficou cerca de 2 anos parado até ser retomado em “slow motion” no início desse ano.

Pretendo retomar com mais frequência a escrita e não somente repassar as colunas publicadas mensalmente no Jornal Imagem da Ilha.

Pra não deixar essa marca passar em branco falo sobre um lançamento em primeira mão de mais uma joia da vitivinicultura Catarinense – a Vinícola Thera.

Foto Site http://www.vinicolathera.com.br/



O projeto Thera já nasce com pedigree de grandiosidade, da mesma família proprietária da Villa Francioni saiu um dos quatro irmãos, João Paulo Freitas para tocar as terras em Bom Retiro. Seu pai Dilor construiu um sonho e ele segue seus passos homenageando sua mãe Therezinha Borges de Freitas, carinhosamente chamada de Thera.

Com o knowhow adquirido com o tempo à frente da Villa Francioni e os vinhedos já adaptados ao local buscaram no Enólogo Átila Zavarize a experiência necessária para produzir seus primeiros vinhos com maestria. A primeira safra já mostra que a proposta é de muita qualidade e os dois lançamentos iniciais, um Sauvignon Blanc e um Rosé estão fantásticos.

http://www.vinicolathera.com.br/


Tive o prazer e a honra de provar em primeira mão numa garrafa ainda sem rótulo na propriedade o Sauvignon Blanc e fiquei muito surpreso, ainda nervoso o vinho já apresentava toda a tipicidade e qualidade de um Sauvignon Blanc de altitude... e atitude!

Agora provando ele novamente em degustações na Santa Adega e em jantares está cada vez mais comprovado o estilo único e a capacidade da equipe em exprimir todo o potencial dessa casta na região.



Está um vinho com aromas intensos,  lembrando frutas como maracujá, mas sem ser aquele mousse doce e sim muito bem harmonioso com toques herbáceos de arruda e uma fruta como goiaba, além de um perceptível toque mineral. No paladar possui uma acidez que dá água na boca e um corpo volumoso com um final que lembra pêssego maduro.



Já o Rosé é pura elegância, não só na belíssima garrafa mas, também no seu estilo Provençal. Coloração brilhante mas delicada lembrando casca de cebola. Aromas de boa intensidade com um toque floral, leve lembrança de cítricos e um toque marcante de frutas vermelhas lembrando framboesa e pitanga. É gastronômico com bela acidez e lembrança de frutas vermelhas azedinhas e maduras no paladar.  Ah, é um corte de Merlot, Cabernet Franc e Syrah.

O projeto prevê ainda o lançamento de espumantes, um Chardonnay e alguns tintos. Mas, só pro ano que vem.

No local já existe um Receptivo com Wine Bar e o projeto final é grandioso contando com a vinícola e todo uma estrutura extra.

Você encontra os Vinhos Thera na Santa Adega Vinhos Finos e nos melhores restaurantes. 


Um brinde ao vinho Catarinense!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Quinta do Ameal Loureiro

A Quinta do Ameal é uma propriedade de 1710 localizada no Vale de Lima dentro da demarcação do Vinho verde local em que a casta Loureiro atinge sua maior expressão aromática e gustativa.
Suas produção é totalmente orgânica e as uvas são cultivadas na Quinta.



A casta Loureiro foi deixada um pouco de lado e praticamente produzida para grandes volumes de vinho verde. O desafio de produzir grandes e longevos vinhos foi muito grande e até mesmo duvidado por outros que diziam que a casta era pra vinhos jovens. Hoje sabe-se que a partir do seu 5º ano o desenvolvimento da Loureiro lembra grandes Rieslings da Alsácia ou Semillon de Hunter Valley. E algumas garrafas provadas com mais de 14 anos se mostraram sensacionais.

O rendimento é de apenas 5 toneladas por hectare e uma seleção muito restrita de uvas. A produção é como um vinho de Autor e desde 2005 a produção é orgânica.

Na última sexta feira num jantar harmonizado no Ostradamus o Quinta do Ameal Loureiro abriu o jantar com um Ceviche



Esse Loureiro acabou de receber nada menos que 94 pontos na avaliação de Robert Parker (Mark Squires), aliás são brancos consistentemente avaliados acima de 90 pontos nas mais diversas críticas.

É um vinho puro, de ótima intensidade aromática uma deliciosa mistura de pêssego com um toque cítrico que lembra limão siciliano, além de flor de laranjeira.
Na boca é vivo com bela acidez mantendo um frescor mineral delicioso que acompanhou bem o prato.

Em Floripa você encontra toda a linha Quinta do Ameal na Santa Adega Vinhos Finos


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Vinho pra quem gosta de Cerveja... e vice-versa.

Fico um pouco triste com a pequena quantidade de vinho branco que o brasileiro bebe. Nossa culinária, grande costa e o fato de o Brasil ser um país extremamente cervejeiro me faz pensar que os brancos são vinhos que combinariam muito bem com tudo isso. Muitos bebem cerveja por ser barata e muitos por ser leve, refrescante e servida bem geladinha, similar a um grande leque de opções de brancos no mercado. Até acho que muitos dos tomadores de cervejas que se recusam a beber vinho têm perdido muito. O fato é que as duas bebidas dividem muitas semelhanças e muitas diferenças.

A cerveja é frequentemente tratada como uma bebida despretensiosa e simples, enquanto o vinho é exageradamente tratado como uma bebida de elite, chique e para celebração e harmonização em grandes restaurantes. Porém, ambos são fermentados e a cerveja tem uma “vantagem”: pode ser produzida durante todo o ano através de uma grande variedade de cereais. Já o vinho precisa aguardar a safra das uvas, ou seja, tem uma margem de erro muito mais estreita e delicada.




O surgimento de micro-cervejarias e a popularização de grandes vinícolas têm criado caminhos inversos entre esses pares. Nunca tivemos tantas cervejas diferentes, saborosas e aromáticas, fugindo do que estávamos acostumados. Ao mesmo tempo temos cada vez mais vinhos simples, prontos pra beber em qualquer circunstância, num bate papo com amigos ou na beira da piscina. Temos então cada vez mais similaridades com os estilos se aproximando em todas as nuances que podemos encontrar, por isso deixo algumas sugestões para que cervejeiros e enófilos possam encontrar suas alternativas no “outro fermentado”.

Os estilos mais populares de cervejas e os que causam mais controvérsias são os Lagers/Pilseners. A produção em massa e a obrigação de beber a temperaturas praticamente negativas contrastam com as coisas boas que esses estilos devem nos trazer quando bem produzidos: as cervejas precisam ser saborosas, com frescor e leveza. Para quem curte, sugiro provar vinhos com as mesmas características positivas: frescor, boa acidez e aromáticos, como os Sauvignon Blanc da Costa Chilena ou Nova Zelândia, ou um Verdejo Espanhol.

Os que já caminham para o lado dos lúpulos, mas sem exageros, gostam das Pale Ales, que já trazem amargor um pouco maior, aliado aos aromas florais e herbáceos. Nesse estilo temos alguns Pinot Grigio do Friuli e Collio no Norte da Itália, que quando bem feitos trazem aromas cítricos, florais e herbáceos com ótima acidez. Para algo mais inusitado e difícil de achar, temos a Grüner Veltliner, queridinha da Áustria, com mais especiarias no aroma.



Outras queridinhas dos iniciantes são as Witbiers e Weissbiers, leves, matam a sede e são muito aromáticas, com toques de casca da laranja, florais, especiarias, banana e cravo. Um estilo de vinho que acho que combina bem com essas características e a leve doçura que contrasta com a alta acidez é o Vinho Verde, principalmente o produzido com Alvarinho. Traz frutas tropicais, florais e uma boa textura de boca. Podemos voltar ao Sauvignon Blanc de um clima não tão frio e trazendo mais frutas tropicais.

O Vale do Loire pode ser uma opção certeira para quem curte as famosas IPA’s. Existem maníacos por isso, e o amargor, os aromas vegetais de grama cortada e os herbáceos, além dos cítricos e florais, são características dessa família. Nada melhor que a Sauvignon Blanc de climas frios como Sancerre ou Nova Zelândia. Culpa da pirazina, um componente encontrado em algumas uvas incluindo também a Cabernet Franc do Loire pra quem quer se aventurar nas tintas que trazem esse toque vegetal. Finalizo pra quem não quer de jeito nenhum provar brancos e para os que curtem as Porters/Stouts e seus aromas tostados, achocolatados com café e fruta madura. Com acidez equilibrada e redondos em boca, os vinhos da dupla Malbec/Merlot podem ser opções certeiras, sendo carnudos e frutados. Saúde!


Postagem Original no Jornal Imagem da Ilha - Edição 05/09/2016 

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Um Brinde à diversidade das uvas!

Você já ouviu falar em Refosco dal Pedunculo Rosso, Viognier, Marselan e Teroldego? Provavelmente não, mas são algumas das uvas cultivadas hoje no Brasil e que não são fáceis de encontrar por aí. Segundo o livro Wine Grapes temos 1.368 variedades de uvas identificadas no mundo, mas essa estimativa pode estar longe de ser verdade, já que existem milhares ainda não identifcadas. Por mais que o Brasil ainda seja um país relativamente pequeno na cultura e mercado do vinho, cultivamos uma enorme variedade de uvas, nas mais variadas regiões.

Talvez o fato de sermos novos no negócio nos permite testar coisas novas e buscar características de clima e solo e seus similares no mundo. Lógico que tudo começou comercialmente, com muita Cabernet Sauvignon e Chardonnay sendo plantadas e, aos poucos, os produtores percebem que talvez essas não sejam as melhores variedades e testem dezenas de outras. É exemplo a nova e belíssima vinícola catarinense que produz somente castas Italianas com rápido sucesso, a Leone di Venezia. Sugiro provar seus vinhos, entre eles o Montepulciano e o Garganega.




Não precisamos ir tão longe para ver que na média geral o consumidor pouco varia suas escolhas. Você lembra a última vez que provou um Cabernet Franc, um Tannat ou um Syrah? Essas são algumas das uvas que têm se desenvolvido de maneira surpreendente em diversos lugares do mundo. A Cabernet Franc é uma uva que sempre deu bons resultados aqui no Brasil e temos diversos bons produtores, como Dunamis e Valmarino. A Dunamis também produz um Tannat que foi premiado como o melhor vinho na avaliação nacional de 2015. Essa uva está sendo muito bem trabalhada em estilos diferentes no Uruguai, que sempre a teve como símbolo.

E talvez a mais fácil de se encontrar das três citadas, a Syrah, é uma uva que vem se destacando em diferentes climas, como os mais frios do Chile e até mesmo em regiões brasileiras como a desconhecida Espírito Santo do Pinhal, na altitude de São Paulo, onde a vinícola Guaspari produziu o “Vista do Chá” que recebeu a medalha de ouro no Decanter Wine Awards. Um feito histórico! Entre as brancas, gosto muito de provar os vinhos portugueses como Alvarinho, Encruzado ou os blends regionais. Mas, uma uva que sempre me chama atenção é a Riesling, que produz desde um honestíssimo Almandén na Campanha Gaúcha até grandes vinhos na Alemanha e Alsácia, do mais seco ao extremamente doce, e caro.



As novidades são tantas que hoje você consegue encontrar Grüner Veltliner em locais além da Áustria, como Califórnia e Nova Zelândia. Aliás, países do novo mundo como Estados Unidos e Austrália, que estão na vanguarda da pesquisa, tendem a ousar bastante e produzir um pouco de tudo identificando micro climas aptos às variedades desejadas. Essa beleza em descobrir novas uvas levou até mesmo produtores em regiões tradicionais a testar novidades e recuperar uvas ancestrais, não deixando que as mesmas variedades de sempre tomem conta de todo o mercado.

Um bom exemplo é o Chile e a redescoberta de vinhedos centenários da uva País no Vale do Maule. Por aqui, com grande influência da cultura Italiana, temos recuperado essas castas no Brasil e bons resultados surgem como, por exemplo, Sangiovese, Teroldego (Angheben) e até mesmo Nebbiolo e Barbera. Como sempre gosto de falar: uma das maiores belezas do vinho é provar sua diversidade!


Coluna escrita para o Caderno Gastronomia do Jornal Imagem da Ilha primeira Quinzena de Agosto 2016
http://www.imagemdailha.com.br/noticias/guia-gastronomico/um-brinde-a-diversidade-das-uvas.html

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O Clima e a Safra para o vinho

Inverno frio, verão quente e com a quantidade de chuva exata durante toda a temporada de amadurecimento das uvas, a expectativa com a chegada do fenômeno La Niña nos leva a ter esperanças de uma safra excelente no Brasil. Ano passado tivemos uma safra com perdas de até 80% para alguns produtores. O inverno quente e as geadas tardias, além de granizo e excesso de chuva no período da floração, comprometeram toda a produção.

Essa variação entre o clima de um ano para o outro torna importante a menção daquele número no rótulo sendo uma referência ao ano da colheita das uvas que foram usadas para produzir o vinho. Variações de temperatura, chuva e ouras variáveis climáticas mudam completamente o estilo e qualidade da fruta madura, o que influencia toda a vinificação. Por exemplo, anos mais frios e úmidos propiciam uvas menos alcoólicas e mais ácidas e, por outro lado, anos muito quentes e secos elevam a quantidade de açúcar na uva aumentando o potencial alcoólico do vinho. Nenhum é positivo, o ideal é o equilíbrio. Dias quentes, noites frias e chuva na medida certa para abastecer as videiras e não diluir a expressão da uva são fundamentais. Ao contrário teremos sempre vinhos desequilibrados de um lado ou de outro, precisando de correções e não alcançando sua máxima expressão.

Clima frio em São Joaquim


Essa variação anual é um dos motivos que levam a região de Champagne, por exemplo, a produzir vinhos em sua grande maioria sem a menção da safra do rótulo, pois, para manter um padrão “da casa”, utilizam vinhos reserva de outras safras. Somente em anos especiais, em que o clima é praticamente perfeito, eles fazem um Champagne Millésime ou Vintage em que vale a pena expressar todo o potencial com uvas de uma só safra.

Isso é feito também em vinhos ícones ou especiais de diferentes vinícolas. É muito comum perguntarem quando foi um bom ano. Uma dica é observar os vinhos mais especiais de cada produtor, pois, na grande parte das vezes, eles só são produzidos quando a safra foi boa o suficiente para produzir uvas com a qualidade mínima para se fazer vinhos de alto padrão. Em algumas regiões do mundo em que a natureza contribui com um padrão de alta qualidade ano após ano, isso pode aparecer sempre, mas em outras regiões como o Brasil ou até mesmo Bordeaux e Champagne, essas safras especiais acontecem em um a cada três ou quatro anos, até menos se levarmos em conta a filosofia mais exigente de alguns produtores.

Forte granizo nessa safra em Chablis


A menção de um ano especial num rótulo pode levar ao aumento de preço de um vinho e até mesmo elevar esse vinho para um status de investimento, pois com certeza uma grande safra irá se valorizar com o tempo. Por outro lado isso faz com que safras menos “famosas”, mas de boa qualidade, tenham preços muito interessantes em rótulos famosos, justamente por ficarem à sombra dos anos históricos. Outra opção é comprar vinhos um degrau abaixo dos ícones, quando esses não são produzidos. O motivo é que as uvas que foram selecionadas e cultivadas com intenção de produzir um rótulo especial serão utilizadas num vinho abaixo, geralmente mantendo uma ótima qualidade num vinho de bom preço.

Então, preste atenção nesse detalhe importante. A safra 2012 no Brasil foi de altíssima qualidade, comparável à histórica 2005, que foi fantástica na maior parte do mundo. Em Bordeaux tivemos uma sequência muito boa em 2009 e 2010 que também produziu grandes Borgonhas. Na Itália, 2010 foi histórico para os grandes Barolos e Brunellos, e 2011 produziu vinhos do Porto seculares. Fica a dica!

Coluna Jornal Imagem da Ilha - Link Original - > http://www.imagemdailha.com.br/noticias/guia-gastronomico/o-clima-e-a-safra